Cuidados com Bezerros Recém-Nascidos: Guia de Manejo e Saúde

Cuidados com Bezerros Recém-Nascidos: Guia de Manejo e Saúde

Os primeiros dias de vida de um bezerro são decisivos para sua saúde, seu desenvolvimento e seu desempenho futuro. Nesse período, o animal ainda está se adaptando ao ambiente e depende de cuidados específicos para receber proteção contra doenças, manter a temperatura corporal e começar a se alimentar adequadamente.

Na criação de gado, alguns problemas podem surgir justamente quando os cuidados iniciais são negligenciados. A ingestão insuficiente de colostro, a falta de higiene, as infecções umbilicais e a diarreia neonatal estão entre as situações que exigem atenção dos produtores.

A boa notícia é que uma rotina organizada de manejo ajuda a reduzir muitos desses riscos. Observar o comportamento do bezerro, garantir a primeira alimentação, cuidar do umbigo e manter o ambiente limpo são medidas fundamentais para começar a vida do animal da maneira adequada.

Neste guia, você vai aprender como cuidar de bezerros recém-nascidos, quais procedimentos merecem prioridade nas primeiras horas, como organizar a alimentação e quais sinais indicam que o animal precisa de atendimento veterinário.

Por que os cuidados com bezerros recém-nascidos são tão importantes?

O nascimento representa uma mudança importante para o bezerro. Durante a gestação, ele se desenvolve no organismo materno e recebe proteção de condições que deixam de existir após o parto. Depois de nascer, precisa respirar sozinho, controlar a temperatura corporal, começar a se alimentar e desenvolver proteção contra agentes infecciosos.

Nos bovinos, a placenta não permite a transferência de quantidades suficientes de anticorpos maternos para garantir a imunidade inicial do bezerro. Por isso, a ingestão do colostro é essencial para que ele receba essa proteção.

Além disso, o recém-nascido apresenta maior vulnerabilidade a problemas relacionados à alimentação, à higiene e às condições ambientais. Uma falha nas primeiras horas pode ter consequências que vão além daquele período, prejudicando o crescimento e aumentando o risco de doenças.

Os cuidados iniciais devem priorizar quatro pontos:

  • Garantir que o bezerro respire normalmente e esteja ativo;
  • Assegurar a ingestão precoce de colostro de boa qualidade;
  • Realizar a desinfecção adequada do umbigo;
  • Manter o animal em um ambiente limpo, seco e protegido.

Essas medidas formam a base do manejo neonatal e devem ser acompanhadas pela observação diária do animal.

1. Observe o bezerro imediatamente após o nascimento

O primeiro cuidado começa logo após o parto. O produtor deve observar se o bezerro está respirando normalmente, apresenta movimentos espontâneos e demonstra capacidade de se levantar.

Em condições normais, a vaca costuma lamber a cria, ajudando a remover parte dos líquidos e a secar o pelo. Esse comportamento também faz parte da interação entre mãe e filhote.

Entretanto, é importante verificar se o recém-nascido está respondendo adequadamente.

Observe principalmente:

  • Se a respiração parece regular;
  • Se o bezerro movimenta a cabeça e os membros;
  • Se apresenta disposição para tentar se levantar;
  • Se consegue ficar em pé e procurar o úbere;
  • Se demonstra interesse em mamar;
  • Se há sangramento importante ou alguma lesão aparente.

Se houver muco obstruindo a entrada das narinas ou da boca, ele pode precisar de assistência imediata. Quando o bezerro não respira normalmente, permanece muito fraco ou apresenta dificuldade importante após o parto, é necessário acionar um veterinário sem demora.

Evite puxar o recém-nascido pelas pernas, pendurá-lo de cabeça para baixo ou realizar manobras improvisadas. Intervenções inadequadas podem causar lesões e atrasar a assistência necessária.

O que fazer se o bezerro estiver molhado ou com frio?

Em dias frios, chuvosos ou com vento, um bezerro molhado pode perder calor com mais facilidade.

Se a vaca não conseguir secá-lo adequadamente, utilize toalhas limpas para retirar o excesso de umidade e providencie um local protegido. A cama deve permanecer seca, e o abrigo precisa permitir ventilação sem expor o recém-nascido a correntes de ar intensas.

Um bezerro muito frio, fraco ou incapaz de mamar precisa de avaliação rápida. Não tente resolver um quadro grave apenas oferecendo leite ou aquecendo o animal sem orientação profissional.

2. Garanta a ingestão de colostro nas primeiras horas

O colostro é o primeiro leite produzido pela vaca após o parto. Ele é rico em anticorpos, energia e outros nutrientes importantes para a adaptação do recém-nascido.

É comum chamá-lo de primeira vacina do bezerro, mas essa expressão é uma comparação: o colostro fornece imunidade passiva, enquanto as vacinas estimulam a resposta imunológica do próprio organismo.

Como os bovinos não recebem proteção suficiente de anticorpos pela placenta, a ingestão do colostro tem um papel essencial na prevenção de doenças durante as primeiras semanas de vida.

Quando o bezerro deve mamar?

O ideal é que o bezerro receba colostro o mais cedo possível, preferencialmente nas primeiras duas horas após o nascimento, sem deixar de priorizar a quantidade adequada nas primeiras seis horas.

Isso acontece porque a capacidade intestinal de absorver os anticorpos diminui progressivamente após o nascimento. Nas primeiras 24 horas, essa absorção já sofre uma redução importante e depois praticamente se encerra.

Por isso, não basta observar se o bezerro chegou a mamar alguma vez. É necessário avaliar se ele ingeriu colostro suficiente.

A Embrapa destaca a importância de fornecer colostro de boa qualidade logo após o nascimento e de acompanhar a ingestão durante esse período crítico.

Como saber se o bezerro mamou?

A observação da mamada ajuda a identificar possíveis dificuldades. Um bezerro que procura o úbere, consegue abocanhar a teta e realiza movimentos de sucção tem mais chances de estar mamando adequadamente, mas isso não garante, por si só, a ingestão de uma quantidade suficiente.

Fique atento se o animal:

  • Não consegue se levantar;
  • Não encontra o úbere;
  • Tenta mamar, mas não consegue;
  • Apresenta sucção fraca;
  • Está muito apático;
  • Continua com aparência de fraqueza após o nascimento.

Quando o bezerro não mama espontaneamente ou existe dúvida sobre a ingestão, procure orientação veterinária para definir a forma mais segura de fornecer o colostro.

Em sistemas com fornecimento controlado, a quantidade deve considerar o peso do animal, a qualidade do colostro e o protocolo adotado na propriedade. Não se deve presumir que uma mamada breve seja suficiente.

O colostro precisa estar limpo?

Sim. A qualidade do colostro envolve tanto sua concentração de anticorpos quanto as condições de higiene durante a coleta, o armazenamento e o fornecimento.

Utensílios sujos podem introduzir microrganismos e comprometer a segurança da alimentação. Por isso, baldes, mamadeiras e outros equipamentos devem ser higienizados cuidadosamente após o uso.

Atenção: se o bezerro não ingeriu colostro nas primeiras horas, procure orientação veterinária imediatamente. Não espere o aparecimento de sintomas para agir.

3. Faça a cura do umbigo corretamente

A cura do umbigo é um dos procedimentos mais importantes no manejo de bezerros recém-nascidos.

Logo após o nascimento, o cordão umbilical ainda representa uma possível porta de entrada para microrganismos. Quando ocorre contaminação, podem surgir infecções locais que, em alguns casos, se espalham e comprometem outras estruturas do organismo.

A desinfecção adequada ajuda a reduzir esse risco.

Como deve ser feita a cura do umbigo?

O procedimento deve seguir o protocolo sanitário da propriedade e a orientação do médico-veterinário responsável.

De modo geral, os cuidados incluem:

  1. Avaliar o cordão umbilical e verificar se existe sangramento importante.
  2. Utilizar um produto antisséptico apropriado para a desinfecção umbilical de recém-nascidos bovinos.
  3. Aplicar o produto conforme as instruções do fabricante e a orientação veterinária, garantindo que o coto umbilical seja adequadamente alcançado.
  4. Evitar a contaminação do recipiente e da solução utilizada.
  5. Repetir o procedimento pelo período recomendado no protocolo adotado.
  6. Observar diariamente se o umbigo está secando normalmente e se aparecem sinais de inflamação.

Alguns protocolos utilizam soluções à base de iodo, mas a concentração e a forma de aplicação devem seguir a recomendação técnica adequada ao produto.

Não corte o cordão umbilical sem necessidade nem aplique substâncias improvisadas. Caso seja necessário intervir por causa de comprimento excessivo ou sangramento, a conduta deve ser orientada por um profissional capacitado.

A Embrapa e órgãos de assistência técnica destacam a desinfecção umbilical como uma medida essencial para prevenir infecções em bezerros recém-nascidos.

Quais sinais indicam infecção no umbigo?

Observe se o local apresenta:

  • Inchaço;
  • Vermelhidão intensa;
  • Calor ou sensibilidade;
  • Secreção ou pus;
  • Mau cheiro;
  • Umidade persistente;
  • Dor quando o animal se movimenta ou quando a região é examinada.

A presença desses sinais exige avaliação veterinária. A infecção pode avançar para estruturas internas e, em situações graves, afetar outros órgãos.

Também é importante observar se o bezerro apresenta febre, perda de apetite ou apatia. Esses sinais, associados a alterações no umbigo, aumentam a preocupação com um problema sistêmico.

4. Mantenha o ambiente limpo, seco e bem ventilado

O ambiente onde o bezerro permanece influencia diretamente o risco de exposição a agentes infecciosos.

Locais com acúmulo de fezes, lama, água parada e restos de alimentos podem favorecer a contaminação do umbigo, da pele e dos utensílios utilizados na alimentação.

Por isso, a limpeza não deve se limitar ao espaço onde o animal dorme. É importante observar também a maternidade, os piquetes, os bebedouros e as áreas por onde os recém-nascidos circulam.

Como preparar um local adequado?

O espaço destinado ao bezerro deve oferecer:

  • Cama limpa e seca;
  • Proteção contra chuva, vento intenso e sol excessivo;
  • Ventilação suficiente;
  • Espaço para o animal se levantar e deitar;
  • Acesso seguro à mãe, quando o sistema de criação permitir;
  • Ausência de objetos que possam causar ferimentos;
  • Condições para limpeza e retirada frequente de fezes.

A ventilação é importante porque um ambiente fechado e úmido pode favorecer a concentração de agentes infecciosos. Entretanto, ventilação não significa expor o recém-nascido diretamente a correntes de ar frio.

Em sistemas de criação coletiva, a lotação e a higiene precisam ser monitoradas com atenção. O acúmulo de animais em um espaço inadequado pode aumentar a transmissão de doenças.

O ideal é estabelecer uma rotina de limpeza e inspeção, em vez de esperar que o ambiente fique visivelmente sujo para realizar a manutenção.

5. Organize a alimentação após o colostro

Depois de receber colostro adequadamente, o bezerro precisa continuar recebendo alimentação compatível com sua idade e seu sistema de criação.

A estratégia varia entre propriedades de gado de corte e de gado leiteiro. Em muitos sistemas de corte, o bezerro permanece com a mãe e obtém grande parte dos nutrientes pelo leite materno. Em sistemas leiteiros, pode receber leite ou sucedâneo lácteo em quantidades controladas.

Independentemente do sistema, a alimentação precisa ser planejada e acompanhada.

O que o bezerro pode receber nos primeiros dias?

Leite materno: é uma fonte importante de energia, proteínas e outros nutrientes. Nos sistemas em que o bezerro permanece com a vaca, é necessário verificar se ele consegue mamar e se a matriz apresenta condições adequadas para amamentá-lo.

Leite fornecido artificialmente: quando utilizado, deve ser de qualidade adequada, oferecido em quantidade e frequência compatíveis com as necessidades do animal. Os utensílios precisam estar limpos para reduzir o risco de contaminação.

Água limpa: deve ser disponibilizada de acordo com o sistema de manejo, desde que o fornecimento não atrapalhe a ingestão inicial do colostro. Depois dessa etapa, a água é importante para o desenvolvimento e para a adaptação aos alimentos sólidos.

Alimentos sólidos apropriados: conforme o bezerro cresce, o acesso gradual a concentrado inicial e forragem de qualidade pode ajudar no desenvolvimento do rúmen. A introdução e a composição devem considerar a idade e o sistema de produção.

Não existe uma quantidade única de leite ou de alimento que sirva para todos os bezerros. O peso, a idade, a qualidade do alimento, o sistema de criação e as condições de saúde influenciam as necessidades nutricionais.

Por que a higiene dos utensílios importa tanto?

Baldes, mamadeiras e recipientes podem acumular resíduos de leite, favorecendo a multiplicação de microrganismos.

Após cada utilização, os utensílios devem ser lavados adequadamente e armazenados de maneira que permaneçam limpos até o próximo uso.

Também é importante verificar a qualidade do leite fornecido. Leite contaminado ou inadequado pode aumentar os riscos sanitários, e a utilização de leite de descarte precisa seguir uma avaliação técnica específica.

A higiene dos equipamentos e do ambiente é uma das medidas destacadas pela Embrapa para reduzir a ocorrência de doenças em bezerros.

6. Previna a diarreia neonatal

A diarreia neonatal é um dos problemas sanitários que mais exigem atenção durante as primeiras semanas de vida dos bezerros.

Ela pode ter diferentes causas, incluindo agentes infecciosos, falhas no manejo do colostro, contaminação ambiental e problemas relacionados à alimentação.

O risco aumenta quando vários fatores se combinam. Por exemplo, um bezerro que recebeu pouco colostro e permanece em um ambiente contaminado pode apresentar maior vulnerabilidade a doenças.

Como identificar a diarreia?

Os sinais incluem:

  • Fezes mais líquidas do que o habitual;
  • Aumento da frequência de evacuação;
  • Região traseira constantemente suja;
  • Redução do interesse pela alimentação;
  • Apatia;
  • Fraqueza;
  • Sinais de desidratação.

A consistência das fezes pode variar, e nem toda alteração isolada significa necessariamente uma doença grave. Entretanto, diarreia persistente ou acompanhada de mudanças no comportamento precisa de atenção.

Por que a desidratação é perigosa?

Com a diarreia, o bezerro pode perder água e eletrólitos importantes para o funcionamento do organismo.

Quando essas perdas são intensas, o animal pode ficar fraco, perder a capacidade de mamar e desenvolver um quadro grave em pouco tempo.

Por isso, ao identificar diarreia, procure orientação veterinária para avaliar a gravidade e determinar o tratamento adequado. A reposição de líquidos e eletrólitos pode ser necessária, mas a forma de administração depende do estado do bezerro.

Não utilize antibióticos, antidiarreicos ou receitas caseiras por conta própria. O tratamento precisa considerar a causa provável, o grau de desidratação e a capacidade do animal de ingerir líquidos.

A prevenção inclui colostragem adequada, higiene dos equipamentos, limpeza do ambiente e acompanhamento frequente dos recém-nascidos.

7. Observe a respiração, o comportamento e a temperatura

Nem todos os problemas de saúde apresentam sinais evidentes logo no início. Por isso, acompanhar o comportamento do bezerro diariamente ajuda a identificar alterações que poderiam passar despercebidas.

Um animal saudável tende a demonstrar interesse pelo ambiente, levantar-se de acordo com sua idade e condição, procurar alimento e manter um padrão de comportamento relativamente estável.

Mudanças repentinas merecem atenção.

Observe se o bezerro:

  • Está mais quieto do que o habitual;
  • Deixou de mamar;
  • Respira com esforço;
  • Apresenta tosse ou secreção nasal;
  • Mantém as orelhas caídas e demonstra fraqueza;
  • Fica isolado dos outros animais;
  • Apresenta diarreia;
  • Tem dificuldade para se levantar.

Esses sinais não indicam necessariamente uma doença específica. Podem estar relacionados a problemas respiratórios, digestivos, infecciosos, nutricionais ou ambientais.

A medição da temperatura corporal pode ajudar na avaliação, mas precisa ser interpretada conforme a idade, as condições ambientais e o restante dos sinais clínicos.

Se o bezerro estiver muito fraco, não conseguir ficar em pé, apresentar dificuldade respiratória, não conseguir mamar ou demonstrar piora rápida, procure atendimento veterinário imediatamente.

8. Proteja o bezerro contra moscas e bicheiras

O umbigo recém-nascido pode atrair moscas, especialmente quando permanece úmido ou contaminado. Em determinadas condições, isso aumenta o risco de miíase, popularmente conhecida como bicheira.

A prevenção depende da desinfecção umbilical adequada, da higiene do ambiente e da observação diária.

Durante a inspeção, procure verificar se há:

  • Presença excessiva de moscas na região;
  • Feridas ou lesões;
  • Secreções;
  • Larvas;
  • Irritação ou inchaço;
  • Sinais de dor.

Se houver suspeita de bicheira, procure orientação veterinária para a remoção e o tratamento apropriados. O manejo depende da extensão da lesão e da condição do animal.

Não aplique produtos destinados a outras espécies nem substâncias improvisadas sobre o umbigo. Alguns produtos podem ser inadequados para recém-nascidos ou provocar irritação.

A prevenção deve fazer parte do protocolo sanitário da propriedade, especialmente em épocas e regiões de maior presença de moscas.

9. Faça a identificação e registre o nascimento

A identificação individual facilita o acompanhamento do desenvolvimento e ajuda a organizar o manejo do rebanho.

Sempre que possível, registre as informações do bezerro logo após os cuidados iniciais, sem comprometer a ingestão do colostro nem a segurança do manejo.

Os registros podem incluir:

  • Data e horário aproximado do nascimento;
  • Identificação da mãe;
  • Sexo do bezerro;
  • Peso ao nascer, quando houver condições para medi-lo;
  • Dificuldades durante o parto;
  • Horário da primeira mamada;
  • Observações sobre a ingestão de colostro;
  • Procedimento de cura do umbigo;
  • Alterações de saúde e tratamentos realizados.

Essas informações ajudam a reconhecer padrões e avaliar o desempenho dos animais ao longo do tempo.

Por exemplo, se vários bezerros apresentam baixo desenvolvimento ou episódios recorrentes de diarreia, os registros podem ajudar o veterinário a investigar possíveis problemas no manejo, na alimentação ou na prevenção sanitária.

A identificação também é importante para acompanhar a origem dos animais e organizar os protocolos de vacinação, controle de parasitas e demais medidas sanitárias.

10. Estabeleça um protocolo sanitário com acompanhamento veterinário

Os cuidados com bezerros recém-nascidos não terminam após a primeira mamada e a cura do umbigo. O acompanhamento precisa continuar durante as semanas seguintes.

Um protocolo sanitário bem planejado considera as doenças presentes na região, o sistema de criação, a origem dos animais e as características da propriedade.

O médico-veterinário responsável pode orientar sobre:

  • Vacinação e momento adequado para cada procedimento;
  • Controle de parasitas;
  • Prevenção e tratamento de doenças neonatais;
  • Higiene e biossegurança;
  • Manejo alimentar;
  • Acompanhamento do crescimento;
  • Condutas diante de sinais de doença.

Não é recomendado aplicar medicamentos preventivamente sem indicação profissional. Antibióticos, antiparasitários e outros produtos devem ser utilizados de acordo com a necessidade, a espécie, a idade e as orientações técnicas aplicáveis.

Também é importante lembrar que procedimentos como descorna e outras intervenções não devem ser improvisados. Quando indicados, precisam ser planejados com medidas apropriadas de controle da dor e bem-estar animal.

Um protocolo adaptado à propriedade ajuda a tornar os cuidados mais consistentes e facilita a identificação de problemas recorrentes.

Checklist: cuidados essenciais nas primeiras 24 horas

Para facilitar a rotina, confira os principais pontos que merecem atenção no primeiro dia de vida.

Logo após o nascimento

  • Verificar a respiração e a vitalidade;
  • Observar se há lesões ou sangramento importante;
  • Ajudar a manter o bezerro seco e aquecido, quando necessário;
  • Confirmar que ele consegue se levantar ou buscar ajuda caso apresente dificuldade.

Nas primeiras horas

  • Garantir a ingestão de colostro de boa qualidade o mais cedo possível;
  • Procurar orientação veterinária se houver dificuldade para mamar;
  • Realizar a desinfecção adequada do umbigo;
  • Manter a interação com a mãe de acordo com o sistema de criação e a segurança dos animais.

Durante o primeiro dia

  • Manter o bezerro em ambiente limpo e protegido;
  • Observar se ele continua mamando;
  • Verificar o aspecto do umbigo;
  • Registrar o nascimento e as principais informações;
  • Monitorar o comportamento e procurar assistência diante de alterações.

Essa lista funciona como referência geral. O manejo precisa ser adaptado à propriedade, e situações de emergência exigem avaliação profissional imediata.

Perguntas frequentes sobre cuidados com bezerros recém-nascidos

Quanto tempo depois do nascimento o bezerro deve mamar?

O ideal é que o bezerro ingira colostro o mais cedo possível, preferencialmente nas primeiras duas horas. As primeiras seis horas são especialmente importantes para garantir a ingestão de uma quantidade adequada, pois a capacidade de absorção dos anticorpos diminui progressivamente.

Por que o colostro é tão importante para o bezerro?

O colostro fornece anticorpos que ajudam a proteger o recém-nascido contra doenças, além de nutrientes e energia. Como os bovinos recebem pouca proteção de anticorpos pela placenta, a ingestão adequada é essencial para a imunidade inicial.

Quantas vezes é necessário fazer a cura do umbigo?

A frequência e a duração dependem do produto utilizado e do protocolo sanitário da propriedade. O procedimento deve seguir a orientação veterinária e as instruções do fabricante, acompanhado da observação diária do umbigo.

O que fazer quando o bezerro não consegue mamar?

Um bezerro que não consegue mamar pode estar fraco, com dificuldade de locomoção ou apresentar outro problema que exige atenção. Procure orientação veterinária imediatamente para avaliar sua condição e determinar a forma segura de fornecer o colostro.

Como saber se um bezerro recém-nascido está doente?

Dificuldade para respirar, incapacidade de ficar em pé, falta de interesse em mamar, diarreia, apatia e alterações importantes no umbigo são sinais que merecem atenção. A presença desses sintomas exige avaliação profissional, principalmente quando o quadro piora rapidamente.

O que causa diarreia em bezerros recém-nascidos?

A diarreia pode estar relacionada a diferentes agentes infecciosos, falhas na transferência de imunidade pelo colostro, contaminação ambiental e problemas de manejo alimentar. A identificação da causa depende de avaliação adequada, e o risco de desidratação torna importante procurar orientação veterinária.

O bezerro precisa ficar com a mãe após nascer?

Isso depende do sistema de criação. Em muitos sistemas de gado de corte, o bezerro permanece com a vaca e mama diretamente. Em sistemas leiteiros, pode ser separado e receber colostro e leite de forma controlada. Em ambos os casos, é fundamental garantir a ingestão adequada de colostro, higiene e acompanhamento da saúde.

Conclusão

Os cuidados com bezerros recém-nascidos são fundamentais para reduzir riscos sanitários e favorecer o desenvolvimento do animal. A ingestão precoce de colostro, a cura correta do umbigo, a higiene do ambiente e o acompanhamento diário formam a base de um manejo eficiente.

Também é importante organizar a alimentação após o período inicial, manter os utensílios limpos, prevenir a diarreia e observar mudanças no comportamento.

Mais do que realizar procedimentos isolados, o produtor precisa estabelecer uma rotina que permita identificar problemas rapidamente e buscar ajuda quando necessário.

Com manejo adequado e acompanhamento veterinário, é possível melhorar as condições de saúde e bem-estar dos bezerros desde as primeiras horas de vida, contribuindo para um rebanho mais saudável ao longo do tempo.